Entenda como a Gestão de Riscos Financeiros pode salvar a sua empresa do fracasso

Você já ouviu falar da Gestão de Riscos Financeiros?

Não?!

Então sua empresa certamente está correndo um grande perigo em relação ao futuro.

Abordamos os conceitos, a importância da prática regular e quais são os benefícios que ela pode trazer imediatamente para sua organização. Continue lendo até o final!

Definindo a Gestão de Riscos Financeiros

Qualquer instituição capitalista, que busca aumentar seus lucros através da venda de produtos ou serviços certamente está correndo riscos. Sejam riscos operacionais, de entrega do produto, de qualidade, dentre muitos outros – arriscar-se é realidade constante em uma empresa.

E nas questões financeiras isso não é diferente, pois existem uma série de fatores – que abordaremos ao longo do texto – que colocam a organização em risco constante. Portanto, é fundamental conhecer os riscos e quais os caminhos a serem tomados no caso deles se confirmarem. Mesmo que não seja possível impedir totalmente o acontecimento de um risco, é fundamental que os prejuízos sejam contornáveis e mitigáveis.

Outro fator curioso e importante de uma gestão de riscos financeiros é a tolerância. Essa tolerância representa uma margem segura para que o gestor conduza a empresa através de um mercado concorrido e cheio de imprevistos.

Por exemplo: manter um departamento de pesquisa e inovação ativo traz consigo diversos riscos. A inovação por si já representa muitos testes e alto índice de falha, e é justamente isso que deve ser “tolerado” em relação aos riscos financeiros. Afinal, o processo de fracasso também agrega aprendizado, e esse aprendizado inclusive é parte fundamental da gestão de riscos. Por outro lado, não ter uma área voltada para inovação traz um risco a médio prazo de deixar o seu produto/serviço obsoleto e ser ultrapassado por concorrentes. Novamente, a chave aqui é conseguir de forma eficiente fazer uma boa gestão de riscos e entender em qual momento está a sua empresa. Para te ajudar, vamos começar listando os tipos de riscos financeiros para sua empresa.

Tipos de riscos financeiros em uma empresa

Como existem centenas de riscos financeiros em uma empresa, é muito importante categorizar e colocá-los em áreas. Isso permite um controle maior sobre cada item e, inclusive, proporciona uma maior dimensão dos perigos enfrentados.

1. Riscos operacionais

Essa categoria de riscos envolvem itens ligados diretamente ao funcionamento da empresa como um todo. Falha em processos, problemas com colaboradores, fornecedores, softwares e eventos externos no geral trazem riscos à empresa e são extremamente difíceis de controlar, já que a empresa precisa manter um registro de cada situação.

Um histórico com os registros de falhas é fundamental para prevenir e tratar os riscos operacionais com mais eficiência. Certifique-se de organizar sua empresa em relação aos incidentes.

2. Riscos de mercado

É um risco conhecido e que, em muitos casos, não recebe o devido valor dos gestores.

Os riscos de mercado representam fatores externos que afetam a empresa e a sua capacidade de pagamento, seja de fornecedores ou de funcionários. O grande problema é que os riscos de mercado fogem totalmente da capacidade de gestão, que só pode usar todo seu conhecimento para resolver e, no máximo, evitar danos cruciais à organização.

A alta do dólar ou de impostos, por exemplo, são riscos de mercado que afetam diretamente qualquer empresa, portanto, é sempre fundamental ter uma estratégia bem definida para cada situação.

3. Riscos de crédito

Os riscos de crédito contemplam as situações que envolvem o pagamento aos credores e recebimento de valores dos clientes.

No caso de pagamento aos credores, podemos destacar o atraso e falta de pagamento, que implicam em juros e no comprometimento do crédito disponível junto às instituições financeiras.

Se uma empresa, por exemplo, é classificada com alto risco durante uma tomada de empréstimo, vai necessitar pagar mais juros – e colocar sua gestão financeira em risco – para poder ter crédito disponível.

Já para os clientes o mesmo risco é válido: o produto/serviço é entregue e o pagamento referente não é realizado. Do mesmo modo que a sua empresa tem problema de crédito, seus clientes também podem o ter e, no final das contas, haverá um desequilíbrio nas finanças.

Em ambos os casos, o risco pode ser minimizado (ou evitado) com uma boa gestão financeira, com muito planejamento e controle do dinheiro da empresa.

4. Riscos de liquidez

Quando uma empresa deixa de pagar suas contas, sejam fornecedores, bancos ou outros tipos de dívidas, ocorre o risco de liquidez, que é quando a empresa deixa de existir e vai à falência.

Esse tipo de situação não é incomum no mercado (a chance de liquidez pode chegar até 40% dependendo do ramo) mas existem muitas maneiras de combater os problemas.

Manter um fluxo de caixa saudável, focar na venda e entrega do produto/serviço oferecido, investir em marketing e publicidade, além de manter uma cultura organizacional sólida são elementos que ajudam a afastar os riscos financeiros que levam à liquidez.

Por isso, olhe de forma cirúrgica para as finanças da sua empresa antes que seja tarde demais.

Como funciona a Gestão de Riscos Financeiros na prática?

De forma simplificada, a Gestão de Riscos Financeiros busca calcular o potencial que um evento pode ter nas finanças empresariais.

Um exemplo é a quebra de uma máquina da produção quebrada. Além do óbvio prejuízo pela falta de funcionamento, ela também acarreta gastos com o reparo, atraso para os clientes e ainda pode gerar má reputação da sua empresa perante o mercado – sem contar que aumenta as chances do seu concorrente fazer uma venda no seu lugar. Por isso, esse tipo de situação envolve variáveis complexas e que muitas vezes passam despercebidas, potencializando a situação de forma negativa.

Com esse funcionamento em mente, é possível descobrir os riscos financeiros que sua empresa pode correr para pontuá-los de forma adequada. Com essa tabela em mãos, temos uma qualificação geral da tolerância de riscos que uma organização pode aceitar e assim conseguimos evitar surpresas desagradáveis.

Quem fizer a lição de casa terá uma boa vantagem

Por outro lado, uma boa gestão de riscos bem feita traz um enorme aprendizado e vantagem competitiva, já que é possível ter mais controle sobre as finanças e passar mais segurança ao mercado e seus investidores.

Imagine que sua empresa tenha mapeado a maioria dos problemas e consiga saber como agir em cada situação, incluindo alguns planos para os riscos de mercado. Do ponto de vista de investidores em clientes, a imagem que a sua empresa está passando é de extrema confiança, pois tem grande chances de honrar com os compromissos combinados.

Interessante, não?

Instrumentos da gestão de riscos financeiros

Com os conceitos e ameaças compreendidos, chegamos ao momento de aprofundar no funcionamento da análise, que consiste em 3 etapas:

1. What If (e se)

É o primeiro e mais básico tipo de análise para gestão de riscos. Ele consiste em uma série de perguntas e respostas para situações possíveis, que são concebidas pelos envolvidos diretamente com a mesma.

Por exemplo:

  • E se o cliente não pagar, o que iremos fazer?
  • E se o dólar subir, como honraremos os pagamentos?
  • E se fulano trocar de empresa, como treinaremos um novo colaborador?

As 3 situações colocadas são totalmente plausíveis de acontecer e, portanto, é fundamental ter uma ou várias respostas para cada pergunta. É importante que esse tipo de análise seja feito e revisitado diversas vezes, para que se mapeie diversas situações e soluções.

2. APR ou Análise Preliminar de Risco

Essa análise consiste em criar uma tabela com toda a análise prévia das situações negativas que podem ocorrer em determinado processo. O APR é uma previsão do que pode dar errado e, para isso, possui um modelo de fácil acompanhamento:

  • Descrição dos riscos;
  • Potenciais causas;
  • Consequências;
  • Frequência: extremamente remota, remota, razoavelmente provável ou provável;
  • Severidade: marginais, desprezíveis, críticas ou catastróficas;
  • Matriz de risco: é uma mistura dos dois índices anteriores e destaca, dependendo da combinação, o tamanho que o risco representa para o item. A matriz de risco é representada por risco desprezível, baixo, moderado,sério ou catastrófico;
  • Soluções necessárias;

Com a tabela preenchida, temos uma fácil avaliação dos riscos financeiros que uma empresa corre e rapidamente sabemos como podemos lidar com a situação.

3. FMEA ou Failure Mode and Effect Analysis

Por último temos o FMEA, uma outra abordagem que ajuda a prever, evitar e combater os riscos financeiros em relação ao produto/serviço oferecido. Criado pela NASA em meados dos anos 60, essa técnica consiste em detectar todas as falhas possíveis e priorizar a partir de um nível crítico, que é originado a partir de 3 fatores:

  1. Chance de ocorrência da falha;
  2. Nível de gravidade da falha;
  3. Capacidade de identificação antes de prejudicar o cliente.

Com isso, erros mais graves e prováveis recebem mais prioridade de medidas preventivas, que ajudam a garantir a qualidade do produto/serviço fornecido e, por consequência, minimizam os riscos financeiros da organização.

Boas práticas na Gestão de Riscos Financeiros

Uma vez que compreendemos o conceito de gestão de riscos financeiros, os tipos existentes, seu funcionamento e instrumentos para combater cada situação, chegou a hora de enumerar as boas práticas dessa ação.

É claro que as sugestões feitas aqui dependem da realidade da sua empresa. Se for possível tratar os itens com qualidade, ignore a nossa recomendação e adapte-se à sua realidade:

  • Evite identificar muitos riscos;
  • Procure por eventos inusitados, mas que podem ser sensíveis para suas finanças;
  • Faça um diagnóstico preciso dos riscos;
  • Defina prioridades e ações para combater cada situação negativa;
  • Monitore constantemente os riscos e mantenha um histórico de acontecimentos;
  • Utilize a tecnologia para gerenciar o conhecimento sobre os riscos.

Conclusão

A gestão de riscos financeiros é fundamental para manter sua empresa viva e saudável em um mercado tão competitivo e globalizado. Através de ferramentas práticas, é possível monitorar e se antecipar aos problemas  e também agir quando de modo eficiente quando necessário, evitando prejuízos desproporcionais e, em pior caso, a falência do negócio.